Discute-se a questão se na saúde mental se pode falar em cura ou não... e o que a terapia EMDR tem a ver com isso.
Esta é uma das perguntas que mais escuto em minha prática clínica. Tratar pessoas que vivenciaram experiências traumáticas vai muito além de eliminar sintomas. O EMDR é uma abordagem profunda, gentil e eficaz. Ele nos ensina a respeitar a capacidade natural do cérebro de se autorregular e a cuidar do paciente de forma integral.
Nosso organismo possui uma inteligência biológica capaz de organizar e processar informações de forma impecável. Mas, diante de experiências profundamente dolorosas, esse processo pode ser interrompido e a lembrança difícil fica "travada”. Isso impacta o presente e traz muito sofrimento, que fica guardado no corpo e na mente.
Como forma de sobrevivência, o cérebro cria um "alarme" que fica sempre “ligado”, preparado para novos perigos. Mesmo que a situação tenha ocorrido há anos, a falta de processamento mantém a mente em "modo alerta”. O trauma é revivido por meio de emoções intensas, sensações desagradáveis e pensamentos negativos. Sem o devido tratamento, esses sintomas podem evoluir para quadros de insônia, depressão, fobias, crises de pânico e dores crônicas sem diagnóstico claro.
Embora alguns profissionais hesitem em usar a palavra "cura", a prática clínica nos apresenta resultados transformadores:
• É o caso de pacientes que superam a fobia de voar (Aerofobia) ou vencem a insônia crônica.
• É a Maria, que hoje lembra do trauma sem a dor paralisante de antes.
• É o Carlos, que se livrou das sensações de sufocamento e pânico.
• É a Lúcia, que não passava por lugares onde houvesse um cachorro (Cinofobia) e já evitou diversas situações sociais por causa disso. Atualmente, ela tem o seu “Caramelo”.
• É a Judite, que, após anos de hipervigilância em razão de abusos na infância, vive sem que a lembrança lhe cause dor física ou emocional.
• É o João, que superou a fobia de agulhas (Tripanofobia) e pode fazer seus exames de rotina com tranquilidade.
• É a Sônia, que, após o tratamento, superou o medo de falar em público e concluiu sua formação com êxito.
São muitas as histórias de renascimento e esperança que tenho o privilégio de presenciar.
Acredito em uma prática clínica fundamentada na humildade e na busca constante por conhecimento. Não há espaço para o fanatismo por abordagens teóricas nem para quem ignora os avanços da neurociência e da neurobiologia do trauma. O que realmente importa é a excelência em um cuidado ético e responsável ao paciente e a liberdade de pensar além dos dogmas.
Ser curado é algo profundo: é livrar-se da "pedra no sapato" que impede o caminhar. Por meio do EMDR, da mentoria e da supervisão da Dra. Esly Carvalho, busco robustez para ser instrumento dessa libertação.
Como diz o ditado, "a vida é um cobertor curto”. Novos desafios surgirão, mas, quanto antes tratarmos nossas feridas, mais fortes nos tornaremos.
Falar em cura não significa apagar o passado. É não ser mais controlado por ele e lembrar sem sofrer. É recuperar a própria essência e a liberdade emocional.
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Nota de Privacidade: Os relatos apresentados são narrativas autorais inspiradas em vivências clínicas. Para preservar o sigilo e a ética profissional, os nomes, contextos e detalhes foram modificados, reunindo diferentes experiências com elementos de ficção para impedir qualquer identificação.
Psicóloga Ana Paula Abreu Machado
CRP 04/18195
Psicoterapeuta EMDR e Brainspotting pela TraumaClinic
Licenciada TraumaClinic
Certificada pela AIBAPT
@anapaulaemdr (Instagram)
Website
Categorias: : Trauma
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